Memorial

© Oana Stoian



Voos matutinos: acalmam-se aves 
em velas ancoradas
em ébrios cantos de tambores
e caveiras, e serpentes
 dentro dos santuários à boca 

       da terra e o martírio fala 

na senda 
       dos pássaros, o corpo dourado 
em cinesias,
a ressuscitar certos papéis mortos 
à boleia das cinzas,

a paragem obrigatória no teu rosto. 

O cansaço 

   abraça
a traça das rochas, estéril em subtileza, 
negando-se
em nativas vigílias, era aqui que 
  coleccionavas alguns símbolos

        da última ceia, os nomes bíblicos
firmavam
        um bizarro acordo 
partitura de coros pela estrada 
em chamas,

que consumiam as asas. 

Em místicas sentidas,
      venenosas, frágeis, havia essa boca  
sem olhos - ainda,
 deserto virgem que fosse puro fabrico 
sobre as dunas 

  a vertigem do vocábulo. Em que lugar 
       os mortos,
 acaso o tempo abraçasse em teu corpo 
        a última sílaba -

       memorial que evocasse o primeiro 
       acto inacabado





Copyright © Luísa Vinuesa. Todos os Direitos Reservados  

Outros poemas...

Cave canem

Papéis soltos

As tecedeiras

Génesis

Pélago da terra

Tango

Os alquimistas

Fim de linha

Plano fixo

Branco ou tinto