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Papéis soltos

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  ©  Robert Doisneau    an(t)ónimo  sub rosa    corpo indecifrável      nothing has such name yet  farsante do código da mente                       antes  coração equivocado    barrigas prenhes de combóios                              selvas glaciares cidade  mapas de vida made in medo              fugas de desejo (antes) do beijo    natureza pouca do teu corpo   nothing is real                                  AQUI (sobre)  o teu rosto perna cruzada em  papéis soltos  sonhos  inventos   solidões disfarces nomes                    papéisquadriculados caneta afiada...

Fim de linha

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  ©  Bruce Davidson    (prefácio) o dom do silêncio seguro   e incerto  sopro&mármore do corpo asas do sobrolho:  os lábios virais não rasgam a luz -             bad girls go to heaven - convocas sentenças vox populi estar vivo é                            saber a fome e a sede        agora nunca mais - disse alto  o poeta - mastigando o pathos da valsa        ex-libris&vícios what a life - pensa -    agora&never - disse alto - ainda mais 1⁰ capítulo    palavras cruzadas esconjuram letras telefone urgente    o programa segue o fazedor & o tempo         aranhas celestes lavram degraus         cifras sagradas&faces do homem    rastejante em desejo imóve...

Pendulum

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© Benoit Courti A nuvem invoca a noite prematura esse enigma em sombra, um horizonte de luz                                                        - um mergulho em rastro atravessa a pedra                                              as sirenes ensaiam no  cais uma tatuagem remota do universo   Os pássaros vaticinam a súbita queda de árvores   estrada onde os sinais                              de certa geometria incerta desenham no chão a estrada do labirinto de asas: peregrinação aos lugares do inferno alado em que  as frágeis asas são o adubo que alimenta a carne   A escada governa a casa   ...

A boca da página

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©  Fabio Selvatici O poema é a dissecação de um cadáver vivo.        A onde  o sol descreve um círculo na  carne,  a boca                             ao erguer o peso da terra tombará com uma folha  morta  sobre           as margens da cara. -         Em vão tudo  o que se diz     sem  odor a sangue, sem beber de um trago           o conflito           de  tinta no quadro, a mancha confunde -se           com o tecido  geométrico do tédio, o traço de giz na pedra.  Abrir as  veias à sede de quem         respira o apocalipse da espera, a crença e a regra.       Em oferenda                ...

Génesis

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©  Sarah Moon Tudo é uma permuta do fogo - sob o jugo  onde o dia e a noite                                  inventariam um jogo em seu limite:  uma mulher vestia-se de  sol, de púrpura aúrea, a cintilar sobre a fina cara  escarlate -     a cor do fogo - o êxtase do sangue a derramar- se em vida.   Sete rosas, sete vozes em carne viva    entre o  dia e noite, o fogo e treva, o amor e luta;  com peso igual  era toda a luta, e no meio, era o amor  de igual altura, com- primento e largura. A mulher pensava com o sangue, um mar flutuante em grafias   do tempo. Era este igual ao sangue            que pulsava em corações  a cinzelar a mente          dos homens.  Céus no chão e mar - a mulher que    trajava de sangue é agora  exaltaçã...