Corpo vibrátil
a música encena um fim de tarde - os lobos
da montanha glacial, o pêndulo
das noites de luar -
o tempo do espaço
de uma mão
no fervor da tarde de domingo.
A cidade inteira inaugurava o precioso tráfico
de carne e o músculo óptico da ilusão
abria o olho da bússola de cimento. Repetes
que é preciso educar os sentidos, sair do corpo
no absurdo das imagens que o espelho entrelaça
e ergues
o perfil barroco do retrato, pássaro que liberta
o perfil barroco do retrato, pássaro que liberta
o oceano incógnito do corpo mas não é
a essa praia
que regressas:
a limpidez das águas tece a arte dos que se afogam
nos espelhos. Falas da cidade que insiste em ter
a limpidez das águas tece a arte dos que se afogam
nos espelhos. Falas da cidade que insiste em ter
corpos, hoje é noite, esperança de um condenado
à morte: - good old days e um retrato de Dean
a sitiar ainda o corpo
vibrátil entre as areia do retrato. Talvez seja
vibrátil entre as areia do retrato. Talvez seja
o grito do oceano a acordar o fervor da tarde,
o ouvido
cego, o tempo escasso - antes ler um policial
cego, o tempo escasso - antes ler um policial
que ouvir o mar. A melodia pela melodia,
a punição do verbo e a justiça
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