Corpo vibrátil


© Cameo



Em passos breves exaltas as memórias, 
     a música encena um fim de tarde - os lobos 

da montanha glacial, o pêndulo 
         das noites de luar -
  o tempo do espaço de uma mão 

    no fervor da tarde de domingo.
A cidade inteira inaugurava o precioso tráfico 
             de carne e o músculo óptico da ilusão 

abria o olho da bússola de cimento. Repetes 

  que é preciso  educar os sentidos, sair do corpo 
no absurdo das imagens  que o espelho entrelaça
e ergues
o perfil barroco do retrato, pássaro que liberta 

o oceano incógnito do corpo mas não é a essa praia 
que regressas: 
  a limpidez das águas tece a arte dos que se afogam
nos espelhos. Falas da cidade que insiste em ter 

corpos, hoje é noite, esperança de um condenado 
    à morte: - good  old days e um retrato de Dean 

a sitiar ainda o corpo

     vibrátil entre as areia do retrato. Talvez seja 
   o grito do oceano a acordar o fervor da tarde, 
o  ouvido 

  cego, o tempo escasso - antes ler um policial 
que ouvir o mar. A melodia pela melodia, 
                  a punição do verbo e a justiça





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