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Anima mundi

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©  Klaus Kampert Nascido de um ventre que                uma só sílaba constrói: secreto        é o mundo em seu concreto mundo em campos talhados,               vasos sagrados, águas antigas -  um deus aprisiona o lugar     sagrado: umbigo da terra, margens de erva,  solo da terra,   monte profético, chão aplanado,  usado de gente,                        hálito  leve, nuvens canoras,  peito inflamável, o peito do homem. Nascido de mares de incerteza,  labirinto em rua  e praça, o caos antiquíssimo  as jóias da casa, o riso amável não anda longe - hóspede que replica a alma, a vida curta sob a face do céu na faca do céu,  quotidiano   da alma, sacrifício em terra,            propriedade de um deus,  fil...

Fim de linha

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  ©  Bruce Davidson    (prefácio) o dom do silêncio seguro   e incerto  sopro&mármore do corpo asas do sobrolho:  os lábios virais não rasgam a luz -             bad girls go to heaven - convocas sentenças vox populi estar vivo é                            saber a fome e a sede        agora nunca mais - disse alto  o poeta - mastigando o pathos da valsa        ex-libris&vícios what a life - pensa -    agora&never - disse alto - ainda mais 1⁰ capítulo    palavras cruzadas esconjuram letras telefone urgente    o programa segue o fazedor & o tempo         aranhas celestes lavram degraus         cifras sagradas&faces do homem    rastejante em desejo imóve...

Pendulum

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© Benoit Courti A nuvem invoca a noite prematura esse enigma em sombra, um horizonte de luz                                                        - um mergulho em rastro atravessa a pedra                                              as sirenes ensaiam no  cais uma tatuagem remota do universo   Os pássaros vaticinam a súbita queda de árvores   estrada onde os sinais                              de certa geometria incerta desenham no chão a estrada do labirinto de asas: peregrinação aos lugares do inferno alado em que  as frágeis asas são o adubo que alimenta a carne   A escada governa a casa   ...

A boca da página

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©  Fabio Selvatici O poema é a dissecação de um cadáver vivo.        A onde  o sol descreve um círculo na  carne,  a boca                             ao erguer o peso da terra tombará com uma folha  morta  sobre           as margens da cara. -         Em vão tudo  o que se diz     sem  odor a sangue, sem beber de um trago           o conflito           de  tinta no quadro, a mancha confunde -se           com o tecido  geométrico do tédio, o traço de giz na pedra.  Abrir as  veias à sede de quem         respira o apocalipse da espera, a crença e a regra.       Em oferenda                ...

Génesis

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©  Sarah Moon Tudo é uma permuta do fogo - sob o jugo  onde o dia e a noite                              inventariam um jogo em seu limite:  uma mulher vestia-se de sol, de púrpura aúrea, a cintilar sobre a fina cara  escarlate -    a cor do fogo - o êxtase do sangue a derramar- se em vida.   Sete rosas, sete vozes em carne viva entre o  dia e noite, o fogo e treva, o amor e luta;  com peso igual  era toda a luta, e no meio, era o amor  de igual altura, com- primento e largura. A mulher pensava com o sangue, um mar flutuante em grafias do tempo. Era este igual ao sangue                que pulsava em corações  a cinzelar a mente  dos homens.  Céus no chão e mar - a mulher que    trajava de sangue é agora  exaltação do sóis e terras          ...

Cave canem

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  ©   Bill Brandt  Aos que foram alvo de censura pelo fb a nus artísticos     Fácil é coabitar com a censura.                                                             O sono respiga alto  sem sonhos.  Não há tempestade que assombre. Há apenas  cansaços: - Não é coisa   censurável. Hoje abri o portão a claros seios nus,                                   abertos vi dois olhos espreitarem: objectos imaginários, mas palpáveis  por  essa gente de retinas libertárias,  e volantes monções de imagens:                          as miragens   que iludem os severos calendários. Alertando a vox,  o robótico censor...